Open Finance
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25 de março de 2021

Se adequando as fases do open banking

Letícia Trevisan
Analista de Marketing e Conteúdo Digital
Publicitário formado na PUC de Campinas. Trabalho no desenvolvimento de conteúdo para websites, blogs e redes sociais, produção de comunicações endomarketing e produção de palestras, workshops e eventos.
Mais sobre o autor

O Open Banking chegou e já é uma realidade que começou a entrar em produção desde o dia primeiro de fevereiro de 2021. E do que se trata?

O Open Banking é uma regulamentação do Banco Central que proporciona ao cliente total controle sobre seus dados lhe permitindo liberar ou não essas informações. Então na prática, as instituições financeiras e as fintechs vão poder compartilhar dados e serviços de clientes.

Os benefícios gerados com essa troca, estão na inovação e no surgimento de novos modelos de negócio, que oferecem aos clientes uma experiência fácil, ágil, segura e conveniente, surge como um bônus. Além de personalização de cada produto ou serviço, isso favorece a inclusão e educação financeira da população.

Em linhas gerais, nesse artigo você vai entender como o compartilhamento de dados será a chave para que sejam criados novos produtos e serviços, focados e personalizados para cada cliente, que embasam cada fase do Open Banking e como as APIs entram nesse contexto.  

A expectativa é que essa transparência entre as instituições na troca de informações traga melhores políticas de crédito e ofertas de serviços que sejam mais adequados aos diversos perfis de usuários. Que possa surgir uma maior facilidade na comparação entre as ofertas das instituições participantes, gerando uma maior competitividade com benefícios aos consumidores.

Quem são os responsáveis por construir as regras desse jogo?

O Bacen convocou alguns representantes de instituições financeiras e também participantes do próprio Banco Central para formar grupos de trabalho (GT). São grupos voltados para segurança, governança e dados.

Esses grupos discutem e fazem as definições das APIs que vão ser usadas na implementação do Open Banking, os requisitos que precisam ser atendidos e como ele vai funcionar na prática. O GT também determinou que todo o processo de implementação será realizado em 4 fases.

Fases do Open Banking

1ª fase - Open Data

A primeira fase do Open Banking já começou, ela é chamada de Open Data. Desde o primeiro dia de fevereiro de 2021, as instituições começaram a abrir as suas informações.

Os dados compartilhados são relacionados a canais de atendimento, produtos e serviços e também a algumas APIs de métricas, status e dados desses canais, para que essas informações de métricas e performance dessas APIs sejam enviadas ao Banco Central.

O Banco Central vai começar a analisar essas informações e ver se todas as instituições participantes estão atendendo aos requisitos não funcionais de performance de segurança, necessárias para cada uma das fases.

É importante ressaltar que nessa fase, não será compartilhado nenhum dado de cliente.

Nesse primeiro momento podem surgir soluções que comparam diferentes ofertas de produtos e serviços financeiros, auxiliando as pessoas a escolherem a opção mais adequada ao seu perfil e necessidades.

Espera-se que entre as possíveis soluções que possam surgir estão os comparadores de tarifas bancárias, de tipos de contas e de cartões de crédito.

2ª fase - Customer Data

Na segunda quinzena de julho de 2021 está prevista a segunda fase para a regulamentação do Open Banking. Ela é chamada de Customer Data, sendo esse o momento de compartilhar dados do cliente.

E o que vem em mente?

LGPD, a necessidade de realizar a proteção desses dados sensíveis dos clientes. Requisitos de segurança, o GT de segurança define requisitos técnicos de segurança que precisam ser atendidos pelas plataformas de APIs envolvidas. E também estamos falando sobre consentimento.

Já existem as APIs que essa fase vai permitir, além de todos os requisitos de segurança em produção.

A partir desse momento, os clientes, se quiserem, poderão solicitar o compartilhamento entre instituições participantes de seus dados cadastrais, de informações sobre transações em suas contas, cartão de crédito e produtos de crédito contratados.

Como principal benefício, será possível aos clientes receber ofertas de produtos e serviços mais adequados ao seu perfil, a custos mais acessíveis e de forma mais ágil e segura.

Também poderão surgir soluções mais personalizadas de gestão e de educação financeira pessoal, por exemplo. O ecossistema financeiro como um todo também ganha com mais inovação, maior competitividade e com a racionalização de processos.

3ª fase - Service

Já a terceira fase do Open Banking, que deve começar em agosto de 2021, é focada em serviço. Nela surge a possibilidade de compartilhamento dos serviços de iniciação de transações de pagamento e de encaminhamento de proposta de operação de crédito.

Isso abre caminho para o surgimento de novas soluções e ambientes para a realização de pagamentos e para a recepção de propostas de operações de crédito, possibilitando o acesso a serviços financeiros de forma mais ágil, por meio de canais mais convenientes para o cliente.

O GT definiu que toda instituição que tenha agência e conta é obrigada a entrar na fase 3 e compartilhar suas informações.

Vale sempre ressaltar que todas as fases tem como regulamentação a LGPD que garante a preservação e a segurança de todo processo. Além de reafirmar o compromisso do compartilhamento de dados, só poderá acontecer com a autorização prévia e específica do cliente.

4ª fase - Other Services

A quarta e última fase do Open Banking, prevista para dezembro de 2021, que é chamada de Other Services, falamos de serviços adicionais, câmbio, investimentos, seguros, aí entraremos no Open Finance de fato, nela os dados sobre outros serviços financeiros passam a fazer parte do escopo do Open Banking.

Isso significa que os clientes – sempre que quiserem e autorizarem - poderão compartilhar suas informações de operações de câmbio, investimentos, seguros, previdência complementar aberta e contas-salário, bem como acessar informações sobre as características dos produtos e serviços com essa natureza disponíveis para contratação no mercado.

Assim, amplia-se ainda mais a possibilidade de surgimento de novas soluções para a oferta e a contração de produtos e serviços financeiros, mais integrados, personalizados e acessíveis, sempre com o consumidor no centro das decisões.

Com o final das fases não significa que o Open Banking vai acabar por aqui, ele abrirá portas, ao observar regiões que a regulamentação está em vigor a mais tempo, conceitos como Banking as a Service, são reforçados e trazem ainda mais benefícios.

O GT de Open Banking criou um site que tem todas as aplicações de uso, informações sobre as fases e obrigatoriedades e os use cases, para consultas e conhecimento sobre O.B.

Além disso, disponibilizaram o Portal Oficial do Desenvolvedor, onde as APIs das fases 1, 2, 3 e 4 serão disponibilizadas, para ver o contrato dessas APIs, os requisitos funcionais e não funcionais também.  

Banking as a Service

Banking as a Service (BaaS) é um componente chave do Open Banking (OB), permitindo aos que adotam este conceito se beneficiem com mais parceiros, novas propostas de produtos e serviços, fluxos de receita adicionais e maior satisfação do cliente.

Alguns exemplos de instituições que estão sabendo aproveitar de maneira positiva os benefícios que o Open Banking vem garantido é o Banco Original. A instituição vê a plataforma BaaS como fundamental para construir um ecossistema de parceiros para conectar diferentes áreas de conhecimento.

Isso permite oferecer mais produtos financeiros / não financeiros, além de gerar altos volumes de transações e retenção de clientes, como também fornecer uma fonte de receita adicional.



Obrigado pela leitura!