Open Finance
10
min de leitura
23 de maio de 2018

Bancos como Plataformas: APIs nos Bancos e estratégia Fintechs - parte 1

Nicholas Gimenes
Leader de Crescimento & Marketing de Produtos
Apaixonado pelo uso de tecnologia e dados para alavancar estratégias digitais
Mais sobre o autor
"O setor bancário é necessário. Os bancos, não". - Bill Gates

É fato que a tecnologia acaba mudando as regras do jogo e poucos setores estão sendo tão bombardeados por notícias disruptivas como no setor financeiro, o que leva a uma busca por novas estratégias, como Bancos como Plataformas.

O modelo tradicional de bancos está ameaçado pela comoditização, desintegração e desintermediação. A pressão vem de todos os lados (novos regulamentos, tecnologias, concorrentes, expectativas ...) e a estratégia do Banking-as-a-platform (BaaP) pode favorecer os bancos e fintechs a usarem algumas dessas forças a seu favor.

Bankig como plataforma (BaaP)

Novos regulamentos de pressão: PSD2 (UE), CMA (Reino Unido), UPI (Índia)

Além do PSD2 (UE), CMA (Reino Unido), UPI (Índia), iniciativas semelhantes estão sendo estudadas no Japão, Austrália, Brasil e outros países. Essas regulamentações buscam abrir o setor financeiro à concorrência, estimular a inovação, reduzir os custos de transação, aumentar a transparência e capacitar os consumidores.

Uma das implicações do PSD2 é que os usuários poderão acessar suas informações bancárias e fazer pagamentos de terceiros prestadores de serviços de pagamento (TPPs). Essa integração de dados e serviços precisa ser segura, ágil e escalonável, o que pode ser feito por meio de APIs abertas. Espera-se que essas regras PSD2 sejam incorporadas às operações bancárias europeias até 2019.

Open Banking - PSD2 CMA UPI

Pressão de novas expectativas: Omnicanal, Transparência, Personalização...

Mais serviços estão disponíveis por meio de aplicativos, coletando dados e realizando transações em tempo real, com UXs sofisticados e algoritmos que acionam ações proativas.

A gente acaba ficando mimado, sabe. Quem nunca sentiu ódio por ter que ir a uma filial apenas para habilitar algo? Ou para entrar em uma linha (quanto tempo isso vai durar?) Ou ligar para alguém porque x não é z? Falando em Z, essa geração mais jovem (gen-z) é ainda menos paciente do que eu.

As empresas que oferecem uma melhor experiência têm um grande diferencial, como vem mostrando o crescimento dos bancos digitais. Após o PSD2, os TPPs serão capazes de acessar informações e acionar pagamentos de clientes do banco (desde que seja autorizado pelos clientes) para executar seus serviços.

Essas TPPs serão capazes de morder a maior parte do valor que poderia ser dos bancos, restando a eles apenas serviços de menor valor agregado (comoditização).

Expectativas de novos clientes - Open Banking

Pressão de novos avanços tecnológicos: APIs, Analytics + AI, IoT, Blockchain ...

Os grandes impulsionadores tecnológicos (IA, nuvem, IoT, mobilidade ...) estão criando oportunidades em todos os setores. Alguns deles, como as novas ferramentas analíticas e Inteligência Artificial, permitem analisar grandes volumes de dados em tempo real, gerando insights e desencadeando ações proativas.

Com a IoT, “coisas” também entram no jogo, podendo coletar dados, analisar e acionar ações internas e externas. Implementando APIs, você pode fazer integrações ágeis, seguras e escaláveis ​​entre sistemas legados, aplicativos móveis, serviços em nuvem e ecossistemas de parceiros. Por sua vez, o blockchain permite transações seguras e rastreáveis ​​de maneira descentralizada.

As possibilidades de combinar essas tecnologias para gerar novos negócios são inúmeras, por exemplo: dispositivos que realizam microtransações com criptomoedas (pagamentos, investimentos, empréstimos ...) de forma autônoma e direta entre si, por meio de contratos inteligentes e algoritmos.

Módulos da Plataforma Tecnológica Digital de Negócios - Gartnerimagem : Takeaways do Gartner Symposium: 5 Áreas de Foco para sua Estratégia de Negócios Digitais

Pressão de novos participantes: Fintechs, OTTs (Amazon, Google, Apple, ...), Telecom, Varejo, Seguros ...

A digitalização dos serviços financeiros favoreceu a entrada de novos players, como empresas de tecnologia, Fintechs e bancos digitais.

Muitos desses participantes não carregam o peso de certos regulamentos e a complexidade de sistemas legados como os bancos. Além disso, são capazes de assimilar rapidamente novas tecnologias e gerar soluções inovadoras, capazes de oferecer comodidade, boa experiência e serviços financeiros diferenciados aos consumidores.

Open Banking - Perturbação - OTTs, Telcos, Seguradoras, Varejistas, Startups, Apple, Amazon, Google, Facebook

Como os bancos e fintechs podem enfrentar esse cenário?

Ao observar este cenário, podemos estabelecer algumas premissas:

  • Tudo o que pode se tornar digital, será digital
  • A competição não é apenas entre empresas individuais, mas entre ecossistemas
  • A vantagem é oferecer a melhor combinação de serviços e benefícios com a maior comodidade de canais (omnicanal)

A partir dessas premissas, as estratégias competitivas de Bancos e Fintechs precisam considerar ações como:

  • Promover ou participar de um ecossistema
  • Desenvolver a capacidade de suportar e integrar serviços, dispositivos, canais, pessoas, parceiros de APIs - de forma ágil, segura e escalável
  • Usando e monetizando dados de maneira eficaz

Bancos Desorganizados - Deslocados, Diminuídos, Desintermediados

Para enfrentar esses desafios, os bancos dispõem de recursos para se posicionar como plataformas de serviços financeiros, como base de clientes, capital, marca e expertise regulatória. No entanto, eles têm algumas dificuldades com a complexidade de seus sistemas legados, ciclos de inovação mais longos, regulamentações mais rígidas.

Já as fintechs possuem um ciclo de inovação mais ágil, oferecem soluções com experiência diferenciada e dominam tecnologias específicas. No entanto, eles não têm uma ampla base de clientes, marcas fortes e confiáveis, economias de capital e de escala, bem como experiência em lidar com regulamentações complexas.

Os bancos podem encontrar, na colaboração com várias fintechs, uma variedade de recursos e serviços para adicionar às suas ofertas, expandindo os fluxos de receita, envolvendo clientes, trabalhando com ciclos mais curtos de experimentação e aprendizagem.

Bancos, Fintechs e APIs

Por outro lado, as fintechs podem encontrar uma ampla base de clientes em colaboração com bancos, bem como o suporte de uma marca consolidada e economias de escala.

Esta colaboração entre bancos e fintechs permite a entrega de uma carteira superior de serviços e canais para uma base de clientes consistente com uso de dados e monetização mais eficaz, além de estimular a criação de novos produtos e modelos de negócios em um ambiente de inovação mais aberto.

Esta colaboração entre bancos e fintechs permite a entrega de um portfólio superior de serviços e canais para uma base de clientes consistente com uso de dados e monetização mais eficaz, além de estimular a criação de novos produtos e modelos de negócios em um ambiente de inovação mais aberto.

Bancos como Plataformas - Bancos e Fintechs com APIs

O poder das APIs para novos negócios e inovação

APIs são um meio padronizado e agnóstico de integrar pessoas, coisas, aplicativos e ecossistemas com agilidade e segurança.

Essa capacidade que as APIs têm de oferecer e combinar recursos de diferentes elementos os coloca como capacitadores-chave para inovação e novos negócios.

Além de integrar sistemas internos e parceiros de ecossistema, as APIs também:

  • Distribuir dados / serviços por meio de Novos Canais, por meio de diferentes interfaces e dispositivos (IoT), ou oferecer uma experiência omnichannel aos usuários;
  • Compor dados / serviços em Novos Produtos, ampliar ofertas existentes ou comercializar APIs com diferentes formas de monetização, além de reduzir o time-to-market;
  • Desenvolver uma nova arquitetura de TI orientada a eventos, baseada em microsserviços e aplicativos de malha, para obter maior agilidade, reutilização, desacoplamento, flexibilidade, capacidade de resposta;
  • Explorar Novos Modelos de Negócios, combinando recursos e estratégias, como plataformas;
  • Adotar novas tecnologias (IA, por exemplo) como serviços, integrando-se com sistemas legados;
  • Construir a base para o Open Banking, para permitir que desenvolvedores terceirizados criem seus próprios aplicativos e serviços a partir das APIs abertas da instituição financeira;
  • Criar iniciativas de inovação aberta, como hackathons e projetos de cocriação com parceiros ou startups;

APIs - A Cola Digital

Quer saber mais sobre como as APIs podem conduzir as estratégias de plataforma entre bancos e fintechs?

Não deixe de verificar o próximo post da série:

Bancos como Plataformas: Plataforma para Bancos e Fintechs - parte 2 - Sensedia

Se você preferir falar com um de nossos especialistas sobre seu projeto ou necessidade


você quer saber mais? Fale com um de nossos especialistas, basta preencher o formulário abaixo e logo entraremos em contato;)

Obrigado pela leitura!